segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Simplicidade

Seja a trabalhar e/ou de férias, alcançar a simplicidade nas "regras" que escolhemos para o nosso dia!

Uma verdade chocante para começar a semana: todos somos ansiosos! É mesmo assim, precisamos da ansiedade tal como precisamos de água. Isto é, na dose certa! Mesmo sendo essencial para a nossa hidratação, até a água em excesso é prejudicial. 

Mas sermos ansiosos em certos momentos do nosso dia ou em períodos da nossa vida, não significa que não possamos viver uma vida plena e produtiva. Por vezes, deixamo-nos invadir de tal modo pelas "prioridades" erradas, que uma pequena tarefa diária, como ir a um supermercado pode tornar-se fonte de um ataque de pânico. Estamos estacionados em frente à porta, com uma lista na mão e tentamos rever mentalmente tudo o que nos pode ter passado ao lado, olhamos para o relógio e vemos o tempo passar sem que chegue para tudo, pensamos na conta bancária e no saldo que pode fazer falta, rapidamente o pensamento resvala para o que não temos, não podemos ter e não podemos fazer. De repente, é como se os pensamentos entrassem em modo frenético, o coração procura acompanhar todo este ritmo, a respiração acelera em coro, as mãos transpiram e quase que nos apetece largar a chorar... Parece tão irracional, quanto incontrolável, mas o medo que se sente é bem real e debilitante. A ansiedade quase parece um buraco negro que nos suga toda a tranquilidade e sensação de controlo de nós mesmos, do nosso pensamento, corpo e emoções.

Contudo, não se zangue com a sua ansiedade. Ela está apenas a alerta-lo para o perigo. Está a tentar, de todas as formas, mostrar que há demasiado a gerir ao mesmo tempo (a maior parte dos pacientes a quem digo isto, mostra-me uma cara de incredulidade... "mas ir ao supermercado é tão simples, como pode ser demais?!") Talvez não seja no momento em que o pânico se instala, mas "rebobinando o filme" percebemos que desde aquele momento em que se arrastou para sair da cama, ou melhor desde aquela exaustão com que se foi deitar, ou melhor desde aquele jantar tomado à pressa e em stress com toda a família em agitação, ou melhor desde que fechou a porta do escritório com a sensação de que a deveria estar a abrir. 

Num processo psicoterapêutico vamos arrumar, seleccionar prioridades e estabelecer novas regras para a organização do nosso dia a dia, com vista a vivermos de acordo com os nossos valores pessoais, aquilo por que queremos ser recordados pelos que nos rodeiam e de quem mais gostamos. Vamos deixar de ser escravos de regras que não cumprimos e que só nos deixam devastados de angústia pelo que não temos ou não conseguimos fazer. As preocupações não vão deixar de existir, pois são parte do nosso instinto de sobrevivência. Preocupamo-nos com o que nos pode acontecer, todos temos pensamentos fugazes sobre assuntos com relevância para o nosso bem-estar: a nossa saúde, as nossas finanças, a nossa aceitação pelos outros, como desempenhamos o nosso papel de pais, seremos ou não bons profissionais, etc... No entanto, quando estes pensamentos nos dominam e lhes damos mais protagonismo do que à realidade em si, começamos a preOcupar-nos em demasia com o que não existe ainda, em vez de nos (pre)OCUPARMOS realmente com o que já está a acontecer NESTE PRECISO MOMENTO na nossa vida.


Alguns dos passos que considero essenciais:
...simplificar
...abrandar
...limpar
... estar.

Comentem (aqui no blogue ou no facebook) se vos faz sentido e como usam (ou não) alguns destes tópicos na vossa vida, ou partilhem o vosso testemunho!

Para alguma questão privada: inesvinagre.psicologa@gmail.com

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