sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Sobre os ânimos quentes como o calor do dia de hoje!

Ok. Acho que me aguento aos comentários que vão chover... Aqui vai :

Não sei se é da minha sensibilidade extra apurada pós parto... Não sei se é por ser verão e os ânimos andarem mais quentes ou ferverem mais depressa... Mas anda a ser cada vez mais difícil tolerar que pais, tios, irmãos, avós, estejam na rua, nas lojas ou nos cafés, em completo descontrolo a tentar controlar crianças. Aos berros ou silenciosamente, com uma palmada ou várias.  Seguidas ou precedidas de gritos e choros.
Os gritos são importantes? São. Quando há um perigo iminente: um carro que surge inesperadamente numa esquina, uma cadeira prestes a tombar, uma mão demasiado perto de uma chávena quente. É que só se forem usados criteriosamente é que vão funcionar quando forem precisos...
Uma palmada de vez em quando não faz mal? Tenho dúvidas. Como é que se faz para ser só de vez em quando? Põe-se um círculo no calendário para não nos esquecermos que seja só daí a um mês? E qual é o critério para usar a palmada? É só quando se portar mesmo mesmo mal? Então e se amanhã se portar pior? Escalamos na intensidade da palmada e deixamos de saber onde parar. Por experiência profissional dos pais que me procuram, tenho reparado que os pais que usam a palmada não têm muitas outras estratégias para controlar o comportamento dos filhos.  Investem muito pouco em prevenir os comportamentos que sabem que vão ser desajustados, não preparam o terreno. Às vezes até já sabem que vai correr mal como sempre, por isso acabam por cumprir a sua própria profecia quase que de mergulho e olhos fechados e logo se vê!
Uma relação parental ou outra semelhante quando a nossa tarefa é cuidar de uma criança deve ser vivida com dedicação. Cada gesto conta, cada palavra fica gravada. As memórias ficam.
Uma criança que esteja habituada a ver os pais resolverem as suas dificuldades (como por exemplo controlar o comportamento do filho, conseguir que coma a sopa, que vista o pijama, tome banho, ande para a esquerda e não para a direita) com impulsividade, descontrolo e/ou agressividade, aprende. Quando chegar a sua vez de ter uma dificuldade (por exemplo, querer contrariar, comer chocolate em vez da sopa, não querer vestir o pijama porque isso significa ir dormir e parar de brincar, despir e ficar frio antes de a água quentinha do banho saber bem, ir para a direita porque parece melhor do que a esquerda que o pai quer), também esta criança terá algumas estratégias aprendidas sobre como lidar com a frustração, a zanga ou a contrariedade. Ah, esperem! Ela só sabe que se reage com gritos e uma palmada.  Ah, mas esperem mais um bocadinho... Não se grita com os pais nem se bate aos adultos.  Hmmm.  Então como se faz? O cérebro pequenino dá um nó! "Não sei, não me ensinaram, não me explicaram o que se faz com este amargo que sinto neste momento. Acho que vou espernear, ou gritar, ou dizer que não, ou bater o pé, ou partir qualquer coisa. Ou fazer isto tudo ao mesmo tempo..."
O primeiro exemplo, a primeira responsabilidade parte de nós. Educar, ensinar, explicar. Prevenir. Simplificar. Compreender. Acalmar. Conter. Lidar. Estar. Amar. Abraçar.  E amar ainda mais os que parecem estar vazios de emoções positivas.

Venham de lá as críticas, de quem não concordar. Eu tenho calma e prometo não gritar de volta se me deixarem zangada.

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