quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Sobre as pedras no caminho...

Já todos tivemos a experiência de perder algo de que gostavamos, e doeu. Alguns já teremos tido a experiência de perder algo de que gostávamos mesmo muito e doeu muito mais. Como seres humanos que pensam e sentem o tempo todo, tentamos encontrar uma resposta lógica que explique o porquê deste sofrimento e tentamos ler nas entrelinhas dos acontecimentos, as esquinas em que escolhemos a esquerda que nos conduziu aquele momento, aquele lugar. Esprememos a memória e encharcamo-nos de culpas a tentar perceber a nossa responsabilidade. Tudo com os melhores propósitos: minimizar o sofrimento, desviar do futuro as incertezas, assegurar um futuro sem perdas.
É difícil, muito difícil. A cada momento em que fazemos esforços e os multiplicamos para fugir das pedras em que poderíamos tropeçar, mais empedrado e incerto parece o caminho. Passo a passo, olhos pregados ao chão, a descobrir cada sulco, a encontrar cada buraco e falhas, tantas falhas.
A um certo momento, já não sabemos para onde vamos, só sabemos que andamos. Não para onde queremos, mas para onde o caminho da fuga nos permite ir.  Não sabemos por onde andamos todo o dia. Chegamos e não estamos.
Tudo para fugir da incerteza do futuro, para controlar a chegada ao destino, para evitar o sofrimento.
E valerá a pena perder a viagem em si? Não desfrutar da caminhada? Partimos desde logo, carregados com uma bússola desnorteada... Não caímos só pelas pedras desalinhadas, e nem todas as quedas são inúteis. As quedas são inevitáveis, muitas inexplicáveis e a maioria incontroláveis.
É, para mim, esse o nosso estranho propósito na vida... caminhar de olhos levantados para o nosso redor, arranhar de vez em quando os joelhos, aceitar que se caímos no percurso é porque tivemos a coragem de querer chegar ao destino. Se lá chegamos? Não sei. Por isso, talvez seja melhor apreciar a viagem.

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