quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Saudades

Já no final de um dia longo de ausências por trabalho, desgaste emocional por algumas birras, sonos acumulados e alguns disparates na algibeira, encosta a cabeça na minha, enrosca o braço no meu pescoço e diz-me baixinho:
- tinha saudades de ti.
- eu também tinha, meu amor pequenino. Tenho saudades de te ver feliz e não zangado.
- eu também tenho saudades de não estares a ralhar.

❤ eles também sentem.  E tanto, desde tão cedo.

Sessões de Desenvolvimento Emocional

Crianças dos 4 aos 6 anos -  Creche, Pré escola e Catl O Ninho, da Fundação Maria e Oliveira, Alcobaça

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Sobre a intervenção psicoterapêutica com crianças...

- Lourenço, não mexas nas coisas que estão nessa caixa, que são do trabalho da mamã...
- Mas são brinquedos.
- Sim, são, mas a mãe precisa deles para levar para o consultório.
- E tu fazes consultas a fingir? Consultas de brincar?

Silêncio.
Como é que se explica a um filho que a mãe precisa de brinquedos para trabalhar?

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

WORKSHOP “ Conhecer e lidar com a sua ansiedade" | Sábado 31 de Outubro | 10h15 - 12h30


WORKSHOP “ Conhecer e lidar com a sua ansiedade"
31 de Outubro de 2015 | 10h00 - 12h30
Espaço Contracapa Psicologia - Intervenção e Formação  |  Leiria

Neste workshop procuraremos caracterizar a ansiedade e as diversas formas de se manifestar no nosso dia-a-dia, conhecer a sua função e de que modo, habitualmente, procuramos minimizar o seu impacto. Algumas das suas manifestações ou sintomas, bem como estratégias de gestão ou controlo ineficazes, levam a que apenas tenhamos a vida que a nossa ansiedade nos permite ter. Pretende-se que, no final, os participantes sejam capazes de diferenciar as estratégias que contribuem de forma eficaz para uma melhoria do seu bem-estar, de modo a minimizar a interferência da ansiedade na sua vida e na prossecução dos seus objetivos pessoais, para que possam viver a vida que querem e escolhem. 

Programa
Recepção e apresentação
O espaço e a equipa da Contracapa Psicologia
Apresentações de participantes e formadoras
Apresentação do Workshop
​ ​
As nossas emoções: Ansiedade
O que é e como se manifesta
​Estratégias para controlar a ansiedade
​Estratégias para lidar com a ansiedade
Exercícios experienciais para aplicar no dia-a-dia

Metodologia:
Expositiva, experiencial, reflexiva, cooperativa.

Formadoras:
Inês Vinagre. Psicóloga Clínica e Educacional
Maria Odília Abreu. Psicóloga Clínica

Espaço Contracapa Psicologia - Intervenção e Formação | Leiria
Somos uma equipa de psicólogas com percurso formativo e profissional na área da saúde mental de adultos, adolescentes e crianças. Construímos a Contracapa com o objetivo de conjugar as nossas diferentes experiências profissionais e criar uma dinâmica colaborativa que desse uma resposta mais abrangente e eficaz a quem nos procura. Temos como objetivo primordial a prevenção e promoção da saúde mental com os nossos utentes e suas famílias, tendo serviços especificamente dirigidos a crianças, adolescentes, adultos, idosos, famílias, comunidade e organizações. Recentemente inauguramos um novo espaço, implantado no centro da cidade de Leiria, espaçoso e confortável num local privilegiado, no qual diferentes projetos e serviços de intervenção na comunidade, na parentalidade e apoio escolar, se encontram amplamente em funcionamento. Procuramos desta forma diferenciarmo-nos, através da vertente comunitária de serviço de Psicologia dirigido à cidade, quer pelo serviço prestado numa vertente privada e pessoal, no qual se terá acesso a uma qualidade diferenciadora de uma equipa dinâmica. 

COMO PROCEDER À INSCRIÇÃO?
Para validar a sua inscrição:

  1. Preencher todos os campos da ficha de inscrição
    • em pdf, para impressão e envio por email
    • preencha o formulário do final desta página
  2. Proceder ao pagamento via transferência bancária (NIB: 0035 0030 00039182600 65) e enviar por email para contracapa.psicologia@gmail.com ou entregar presencialmente no Espaço Contracapa. 
Receberá sempre um comprovativo de inscrição e pagamento, entregue de acordo com a modalidade da sua inscrição (presencial ou email). 
-       Inscrição e pagamento até ao dia 24 de Outubro________________15€
-       Inscrição conjunta (2 pessoas)_____________________________ 25€
-       Inscrição e pagamento até ao próprio dia______________________20€

DESISTÊNCIAS E DEVOLUÇÃO
Em caso de desistência, 100% do valor será devolvido caso informe, via email enviado e confirmada a sua recepção [contracapa.psicologia@gmail.com] até ao dia 23 de Outubro. Após essa data não haverá reembolso. Caso haja algum impedimento que impossibilite a realização do evento 100% do valor será devolvido aos inscritos.
 Para qualquer outra questão, contacte-nos.
Rua Doutor António Costa Santos, 
4 - 1º [à fonte das 3 bicas] 2410-084 Leiria
 tlm.: 961923475 (geral)

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Birras, birrices e outras psicologices

Começo por confessar que não sou nenhuma autoridade no assunto, nem o conjunto de textos que quero partilhar tem a pretensão de trazer nada de novo sobre o assunto. Há demasiados livros sobre o tema, bem como pessoas muito mais credenciadas, com mais investigação e anos de experiência do que eu. O que pretendo é apenas compilar (uma espécie de corte e cose) de algumas ideias que habitualmente transmito em consulta e que muitas vezes surgem desordenadas, ao ritmo e cadência das dúvidas e questões que me vão colocando.
Hoje quero apenas começar por por esclarecer que o título é claramente publicidade enganosa, escolhi-o com intenção. Não quis deixar afastar aqueles que desistem quando vêem num título uma palavra como “parentalidade” por acharem que serão apenas mezinhas caseiras para tratar problemas que já só lá vão com antibióticos à séria… É que é mesmo disso que estamos a falar: problemas à séria! As birras e as dificuldades em gerir o comportamento das crianças são algo que desgasta filhos, pais, irmãos, avós e às vezes um centro comercial apinhado em véspera de Natal. Mas (in)felizmente ainda não há cura rápida, eficaz e infalível, que seja de toma em unidose. E porquê? Porque birras todos fazemos, crescidos incluídos, sempre que a frustração toma conta de nós. Para alguns pode ser apenas um segundo, um respirar profundo e vamos em frente, um fechar de olhos e gritar em silêncio cá dentro. Mas frustração todos sentimos e para sabermos que a sentimos é porque ela se manifesta de alguma forma dentro de nós.
Como pais, temos a mais dura e fantástica das tarefas humanas que é ajudar a edificar uma personalidade para o mundo, que possa tanto vir a ser o Nobel da Paz, Ministra das Finanças ou a pessoa mais feliz no seu monte alentejano. Para tal, é necessário sermos um contexto de aprendizagem seguro e realista das regras (mesmo que às vezes pareça que não existem) do mundo lá fora. É melhor que seja connosco que percebam as consequências para as escolhas que fazem, ainda que tenhamos que as exagerar ou antecipar. Por exemplo, seria razoável deixarmos que um filho aprendesse de forma natural e por si mesmo, que levar sandálias para a rua num dia de chuva o pode fazer ficar doente. Mas para isso teríamos que contar com a possibilidade de que tal não acontecesse e iriamos gerar uma dúvida razoável que apenas iria alimentar mais lutas de “quem tem razão” para o futuro. A verdade é que nós é que somos os pais, o que significa que somos os que detêm, à partida, melhor posição para decidir e que, em princípio, tomarão as decisões mais acertadas, que respeitarão as suas necessidades e interesses. O mundo nem sempre é justo, nem sempre há uma boa consequência para uma boa acção nem o inverso, mas é esse o princípio que quero transmitir. Vê-los sofrer porque perderam um jogo, porque não conseguem perceber um exercício, porque não querem uma vacina, porque não querem ir à escola, porque não querem comer a sopa não é bom. É muitas vezes difícil, algumas vezes doloroso, outras uma angústia horrível de aguentar no peito. Mas os que escolhemos ser pais, antes e depois de o sermos e todos os dias em que o somos, aguentamo-nos à bronca porque os amamos acima de tudo.
Por hoje é só isto.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Mercadito de Palmo e Meio | Domingo, 11 de outubro de 2015 | Mercado Municipal de Alcobaça

Que pais queremos ser? 

...conversas sobre parentalidade 


11h45m: Estamos gravidos... e agora?


  • ​Vamos falar sobre as dúvidas e dificuldades inerentes a esta nova fase, dando uma especial atenção ao que podemos fazer durante a gravidez e pós parto para receber o bebé com serenidade, prevenindo situações de depressão ou ansiedade e promovendo o ajustamento psicológico. 

16h30m: Birras, birrices e psicologices

  • ​ Será que há truques? Estratégias? Planos de ataque? Iremos nesta sessão de perguntas e respostas, identificar as principais dificuldades dos pais na gestão do comportamento dos filhos, encontrar algumas das suas causas e desafiar para a mudança! 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Sobre as pedras no caminho...

Já todos tivemos a experiência de perder algo de que gostavamos, e doeu. Alguns já teremos tido a experiência de perder algo de que gostávamos mesmo muito e doeu muito mais. Como seres humanos que pensam e sentem o tempo todo, tentamos encontrar uma resposta lógica que explique o porquê deste sofrimento e tentamos ler nas entrelinhas dos acontecimentos, as esquinas em que escolhemos a esquerda que nos conduziu aquele momento, aquele lugar. Esprememos a memória e encharcamo-nos de culpas a tentar perceber a nossa responsabilidade. Tudo com os melhores propósitos: minimizar o sofrimento, desviar do futuro as incertezas, assegurar um futuro sem perdas.
É difícil, muito difícil. A cada momento em que fazemos esforços e os multiplicamos para fugir das pedras em que poderíamos tropeçar, mais empedrado e incerto parece o caminho. Passo a passo, olhos pregados ao chão, a descobrir cada sulco, a encontrar cada buraco e falhas, tantas falhas.
A um certo momento, já não sabemos para onde vamos, só sabemos que andamos. Não para onde queremos, mas para onde o caminho da fuga nos permite ir.  Não sabemos por onde andamos todo o dia. Chegamos e não estamos.
Tudo para fugir da incerteza do futuro, para controlar a chegada ao destino, para evitar o sofrimento.
E valerá a pena perder a viagem em si? Não desfrutar da caminhada? Partimos desde logo, carregados com uma bússola desnorteada... Não caímos só pelas pedras desalinhadas, e nem todas as quedas são inúteis. As quedas são inevitáveis, muitas inexplicáveis e a maioria incontroláveis.
É, para mim, esse o nosso estranho propósito na vida... caminhar de olhos levantados para o nosso redor, arranhar de vez em quando os joelhos, aceitar que se caímos no percurso é porque tivemos a coragem de querer chegar ao destino. Se lá chegamos? Não sei. Por isso, talvez seja melhor apreciar a viagem.