Olá e bem-vindo à minha página! Aqui é onde registo e partilho algumas das minhas reflexões enquanto psicóloga e pessoa em constante aprendizagem e construção... A minha prática clínica como psicóloga assenta sobretudo na abordagem das Psicoterapias Cognitivo Comportamentais. Para além de exercer clínica privada, colaboro com instituições e empresas no âmbito da consultoria, apoio técnico, formação, palestras e workshops. Se pretende saber mais sobre o que faço e onde, contacte-me.
sexta-feira, 22 de abril de 2016
domingo, 3 de abril de 2016
terça-feira, 29 de março de 2016
A(in)utilidade da tristeza?
Muitas vezes, mais do que as que eu gostaria, tenho-me sentido triste quando vejo notícias no telejornal, quando não me sinto a ser suficiente para os desafios a que me proponho, quando não sou capaz de minorar o sofrimento dos que me procuram como psicóloga.
Eu aprendi com a minha primeira perda a fazer limonada da tristeza. Foi mesmo isto. Chorei rios de lágrimas enquanto fiz sumo de limão para congelar, enquanto fiz meio quilo de raspa de limão para congelar, enquanto cortei cascas de limão para congelar, enquanto todo o aroma a limão perdurou pela cozinha, enquanto aqueles limões se fizeram render em meses de limonadas, aroma para bolos e chá para acompanhar. Mas foi (e é) fundamental ter-me sentido tão triste, quase tanto quanto me sinto ainda hoje quando a memória me invade sem pedir licença. É que só nesse momento é que eu tive hipótese de me sentir verdadeiramente grata por alguém fazer tanta falta na minha vida. E depois outra e depois outra, a que doeu mil vezes mais. É que me senti humana, ligada à mesma inevitabilidade que todos os outros que sofrem. Ajudou-me a ser mais, a dar mais, a receber mais, a querer lutar por mais. A querer lutar a luta dos outros, porque o sofrimento deles também passa a ser um bocadinho meu.
A tristeza da perda acordou-me. Nada é para sempre, nada é certo. Mas eu quero mais deste sentir que há pessoas lugares e memórias que nos são e dão tanto, que aceito que no reverso da moeda doam quando nos deixam. Enquanto cá estiverem e eu cá estiver com elas quero ser assim, muito. Pelo menos por hoje, pelo menos agora.
Quando reflicto, sei que tenho uma vida melhor do que alguma vez poderia ter desejado, e ainda que seja profundamente feliz a maior parte do tempo, sei que não poderei eliminar a tristeza. É dos sentimentos mais incómodos, dói mais que a ansiedade, esgota-nos mais que a raiva, parece ser muito mais duradoura que a efémera alegria. A maioria dos meus pacientes descreve-a como sendo a pior e mais inútil das emoções. Querem ver-se livres dela, deixá-la ali, amarrotada entre os lenços suaves, soltá-la a voar pela janela com o seu olhar, registada por uma última vez nos meus cadernos.
A estratégia mais comum é o evitamento. Fugir a sete pés em caminhadas, corridas, horas de ginásio. Pensar com toda a força em coisas alegres, momentos felizes, paraísos idílicos. Espremer o que possamos de uma memória ou de uma situação desagradável até lhe encontrar um propósito, uma graça, uma intenção divina ou do destino. Há quem deixe de ver telejornais, há quem deixe de ir visitar os avós velhinhos ao lar. Outros queimam cartas, apagam fotos, bloqueiam amizades facebookianas.
A estratégia mais comum é o evitamento. Fugir a sete pés em caminhadas, corridas, horas de ginásio. Pensar com toda a força em coisas alegres, momentos felizes, paraísos idílicos. Espremer o que possamos de uma memória ou de uma situação desagradável até lhe encontrar um propósito, uma graça, uma intenção divina ou do destino. Há quem deixe de ver telejornais, há quem deixe de ir visitar os avós velhinhos ao lar. Outros queimam cartas, apagam fotos, bloqueiam amizades facebookianas.
Eu aprendi com a minha primeira perda a fazer limonada da tristeza. Foi mesmo isto. Chorei rios de lágrimas enquanto fiz sumo de limão para congelar, enquanto fiz meio quilo de raspa de limão para congelar, enquanto cortei cascas de limão para congelar, enquanto todo o aroma a limão perdurou pela cozinha, enquanto aqueles limões se fizeram render em meses de limonadas, aroma para bolos e chá para acompanhar. Mas foi (e é) fundamental ter-me sentido tão triste, quase tanto quanto me sinto ainda hoje quando a memória me invade sem pedir licença. É que só nesse momento é que eu tive hipótese de me sentir verdadeiramente grata por alguém fazer tanta falta na minha vida. E depois outra e depois outra, a que doeu mil vezes mais. É que me senti humana, ligada à mesma inevitabilidade que todos os outros que sofrem. Ajudou-me a ser mais, a dar mais, a receber mais, a querer lutar por mais. A querer lutar a luta dos outros, porque o sofrimento deles também passa a ser um bocadinho meu.A tristeza da perda acordou-me. Nada é para sempre, nada é certo. Mas eu quero mais deste sentir que há pessoas lugares e memórias que nos são e dão tanto, que aceito que no reverso da moeda doam quando nos deixam. Enquanto cá estiverem e eu cá estiver com elas quero ser assim, muito. Pelo menos por hoje, pelo menos agora.
quinta-feira, 17 de março de 2016
segunda-feira, 14 de março de 2016
Fugir do negativo
Uma ideia comum à maioria das pessoas nos dias que correm, é que para se ser feliz temos de fugir ou afugentar o que é negativo, triste, aterrador... Não é bem assim.

Pensar negativo ou positivo será igualmente inútil enquanto não se der como provado o controlo da realidade com a mente ou a adivinhação do futuro. Mas também igualmente úteis. O pensar positivo contribui para a nossa noção de autoeficácia e conduz a nossa acção. O pensar negativo obriga-nos a sermos conscientes das nossas limitações e a procurar reduzir a probabilidade de falhar, por exemplo através da responsabilização.
Do mesmo modo que em relação a pensamentos, também as emoções são importantes em todo o seu espectro possível. Se analisarmos apenas as 4 básicas, veremos que:
Do mesmo modo que em relação a pensamentos, também as emoções são importantes em todo o seu espectro possível. Se analisarmos apenas as 4 básicas, veremos que:
- A tristeza nos ajuda a identificar as perdas que são significativas para que as possamos integrar na nossa realidade, ainda que por vezes nos obrigue a algum recolhimento e reflexão. Sem ela, trataríamos tudo pela mesma bitola, e perder uma camisola seria tão significativo como perder um amigo...
- A raiva ou a zanga permite perceber onde estão definidos os nossos limites e como os outros poderão estar a ultrapassá-los, protegendo-nos e aos nossos direitos.
- A alegria contagia e aproxima quem nos rodeia, porque partilhar a felicidade multiplica-a...
- E por último, a ansiedade. É ela a derradeira protectora do nosso bem-estar. Identifica e alerta qualquer ameaça ao que damos valor: vida, saúde, família, trabalho, reconhecimento, ausência de dor. Nem sempre o faz oportunamente, nem na intensidade ajustada, e sem dúvida que os seus métodos de chamada de atenção para o perigo são tão agradáveis como um berbequim numa manhã de domingo, mas são indiscutivelmente úteis e fundamentais para a nossa sobrevivência e conquista dos nossos objectivos.
sexta-feira, 11 de março de 2016
Prontidão Escolar e desenvolvimento emocional
É sobretudo durante os primeiros anos de vida que se alicerçam as competências socio-emocionais essenciais para a prontidão escolar e social, manifestadas através de comportamentos compassivos, aceitantes, de empatia, bem como pela capacidade de regulação emocional e resolução de problemas. No ensino pré-escolar é tão importante o desenvolvimento de competências ao nível da aprendizagem, como preparar as crianças para desempenharem, com sucesso, os múltiplos papéis que as esperam no futuro, incluindo outra gama de competências pessoais, interpessoais, atitudes e valores. Para as crianças que poderão fazer este ano a sua transição para o 1º ciclo, este é também um momento decisivo, que influencia em grande medida o seu sucesso educativo e equilíbrio sócio-emocional. Torna-se, por isso, fundamental que esta seja feita de forma a minimizar a probabilidade de insucesso na adaptação à mudança e na aprendizagem.
Assim, uma das minhas principais actividades nos últimos anos tem sido a realização de acompanhamento psicológico e psicopedagógico individualizado, quer em contexto terapêutico de consultório, quer integrado na sala e grupo da instituição de ensino. Paralelamente realizo sessões de grupo com as crianças de 5/6 anos, que têm como grande objectivo contribuir para um desenvolvimento emocional equilibrado e que abordarão as temáticas diversas como: Desenvolvimento Emocional, Auto-Estima, Comportamento, Socialização e Gestão de Conflitos, Pré-competências para a aprendizagem escolar (literacia e numeracia). Para a realização das sessões desenvolvemos actividades que envolvem jogos e dinâmicas de grupo, trabalhos manuais, histórias e pequenos filmes, sempre acompanhados de uma reflexão conjunta, com o intuito de consolidar os temas abordados.
Respondendo às solicitações de pais e educadores, realizo ainda avaliações psicopedagógica individualizadas do desenvolvimento e da prontidão escolar. Trata-se de uma ferramenta que permite preparar uma adequada intervenção para potencializar as competências e recuperar as dificuldades de cada criança. Com o conhecimento aprofundado das suas características, professores, pais e psicólogos estarão em condições de reunir os recursos necessários, adaptar estratégias de ensino e aprendizagem, acomodar estruturas e mobilizar serviços, para que todas as crianças possam alcançar os melhores resultados possíveis desde o primeiro momento.
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