sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Controlo da mente ou a mente que nos controla

Qualquer um de nós tem em algum grau, a tendência para controlar e evitar sentir-se desconfortável, mais especificamente sentir-se com medo ou ansiedade. Para isso procuramos por vezes evitar situações que possam desencadear estas sensações. Mas noutros momentos, o que nos gera ansiedade está apenas a acontecer na nossa cabeça, como imagens, pensamentos de que algo aconteça ou o reviver de uma memória desagradável, pensamentos sobre a morte, perdas, desesperança, angústia, etc ... Tentamos fazer da mesma forma que nas situações e "fugir" dali, daquele pensamento... 

No entanto, o que acontece é que nos damos a uma trabalheira imensa para evitar ou fugir de um pensamento que não se controla, aliás fica mais forte quanto mais medo dele temos. Nestes momentos, o controlo passa a ser o problema que nos desagasta, porque quanto mais se tenta controlar mais as coisas parecem estar descontroladas. 

E que tal fazer algo de diferente? Desafiar e deixar as estratégias de controlo e segurança? No fundo, não precisamos destes comportamentos de segurança, porque não há insegurança... Se nos tentamos proteger, é porque acreditamos que algo negativo pode acontecer, mas como sabemos que NESTE MOMENTO, tal não é verdade, não há porque continuar a pô-los em prática. 

No fundo, porquê gastar tempo e recursos em algo que está no passado ou no futuro, que eu não posso modificar ou controlar? Porque não tentar dirigir o foco da nossa atenção e do nosso comportamento no que é útil e importante para a nossa vida NESTE MOMENTO, como o descanso, uma atividade, estar com quem gostamos, ir beber um copo de água, ir fazer exercício físico, estar só a desfrutar do silêncio? Não porque nos estejamos a tentar distrair dos pensamentos negativos, eles até podem lá estar na mesma, mas são apenas pensamentos e nada podem fazer, só existem na nossa cabeça e são só palavras... , nada de mal estar à acontecer é real.

Os nosso valores pessoais e de vida são de longe uma direção muito mais útil do que o controlo dos nossos medos.
É importante estarmos atentos porque quando nos sentimos mais instáveis e frágeis, regressa a sensação de que temos de controlar os pensamentos desagradáveis e evitar as situações que os desencadeiem EM VEZ DE lidar com eles e continuar a fazer o que é útil e real na nossavida.

A nossa mente é como uma máquina que nunca pára de falar e de produzir conteúdo, mas podemos decidir apenas observá-la e não lhe obedecer:
E agora, 2 exercícios:

1. Num momento de ansiedade ou desconforto, ao pensamento que está a ter acrescente:
– Estou a ter o pensamento que...
– Obrigado mente por me dizeres que...


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2. Avalie até que ponto precisa mesmo de impedir o desconforto:
Estou disposto a sentir _____(medo/dúvida...) para poder _________________ (fazer algo importante para mim)?
ex1. para ser/ter amigos ou uma relação é preciso estar disposto a:
- sentir-se desapontado/desiludido,
- sentir-se embaraçado/envergonhado,
- ser magoado...;

ex.2. para se ter sucesso profissional é preciso estar disposto a:
- às vezes sentir-se como um fracasso
- sentir-se triste quando corre mal
- sentir-se estúpido
- sentir-se desapontado/frustrado

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