terça-feira, 28 de agosto de 2018

Psicoterapia

As pessoas que chegam pela primeira vez à minha consulta, perguntam muito frequentemente qual a diferença entre psicologia e psicoterapia... Não é muito fácil explicar, mas vou tentar anotar aqui alguns pontos essenciais que espero que ajudem à compreensão desta questão.

Ainda que os actos profissionais específicos da Psicologia possam ser exercidos por qualquer psicólogo desde que observados os princípios do Código Deontológico, o título de Especialista, por exemplo em Psicologia Clínica, reconhece que o psicólogo possui a formação e experiência necessária para intervenção nesta área mais específica da Psicologia. 


As Especialidades correspondem a áreas amplas de exercício profissional e domínios de competência da Psicologia e ass Especialidades Avançadas correspondem a contextos mais específicos e especializados de actividade profissional. Assim sendo, há psicólogos que podem exercer actividade num ou duas áreas gerais da Psicologia (i.e. especialidades gerais) e podem ser simultaneamente considerados habilitados para trabalhar em domínios específicos (i.e. especialidades avançadas), mas não é possível a atribuição de uma especialidade avançada, sem que tenha sido atribuída uma especialidade geral. Para acesso ao título de especialista, o psicólogo tem de cumprir um conjunto de critérios que passam pela sua experiência profissional, pela formação e outros elementos que se consideram relevantes nas diferentes áreas, adquiridos no exercício da profissão.

O psicólogo especialista em psicologia clínica e da saúde é aquele a quem é reconhecida competência científica na aplicação dos conceitos, metodologias e técnicas na área clínica e da saúde, nomeadamente no diagnóstico, avaliação psicológica, intervenção, planeamento, monitorização, intervenção psicológica, avaliação da intervenção, conceptualização de caso e investigação dos seus clientes.

A Psicoterapia é uma das especialidades avançadas, podendo definir-se como um processo de desenvolvimento pessoal que tem como principal objectivo a transformação e desenvolvimento de recursos, novas formas de resolver conflitos e problemas, agir sobre o sofrimento psicológico, reduzindo-o e melhorar a qualidade de vida. Os psicoterapeutas são, na sua maioria, psicólogos clínicos mas também podem ser médicos, ainda que só um número reduzido escolha fazer formação ou exercer esta área de intervenção, normalmente após concluirem a especialidade em Psiquiatria. Os modelos ou escolas de psicoterapia são diversas estando as Sociedades e Associações de Psicoterapia que certificam a formação e supervisionam ao longo do processo de conclusão desta especialidade avançada, protocoladas com a Ordem dos Psicólogos Portugueses. A formação pós-graduada em psicoterapia está regulamentada e é genericamente equivalente em qualquer modelo, uma vez que cumpre com alguns requisitos (um mínimo de 400 horas de formação teórico/clínica; 150 horas de supervisão de casos de psicoterapia; 100 horas de terapia pessoal ou desenvolvimento pessoal). Este processo de especialização em psicoterapia é feita após o mestrado em psicologia ou medicina e dura cerca de quatro anos. São portanto, profissionais mais especializados.

Embora a investigação científica indique que nenhum modelo psicoterapêutico seja significativamente superior a outro, existem estudos clínicos que demonstram que alguns se revelam mais eficazes na intervenção em determinadas perturbações e diferentes características pessoais.

Espero que esta informação vos seja útil, mas caso tenham mais alguma dúvida, estou ao dispor!

(Fonte e mais informações em https://www.ordemdospsicologos.pt/pt/especialidades )


sexta-feira, 6 de julho de 2018

O sr. António das 3 bicas.


Já não tenho como vizinho o "meu" Sr  António. Sempre que lhe perguntava de que era a sopa do dia, respondia invariavelmente "É da boa!" enquanto nem esperava que aceitasse... No restaurante do Sr. António, se eu entrasse às 3 da tarde e pedisse uma sopa e uma sandes para levar, tinha sempre de resposta um "olhe lá menina, que para cuidar dos outros tem que cuidar de si... coma a sopinha devagar que senão nem a alimenta". Tinha sempre de companhia os mesmos moradores da zona, que me faziam sentir quase em casa... Os pratos do almoço quase não tinham salada, mas tinham hortaliça do seu quintal "tudo bem tratadinho sem coisa nenhuma", e os nomes das diárias eram do tempo dos meus avós, sem sementes de chia ou  qualquer preocupação com composição nutricional ou com a apresentação na travessa de inox ou prato de barro.
Conheci-lhe a voz forte que perguntava do lado de cá do balcão o que queriam os clientes da mesa do fundo sem ter que se levantar. Conheci-lhe a neta que por ali cirandava todos os dias quando os pais emigraram para a Suíça e ficou com os avós. Conheci-lhe a saudade da neta quando esta foi no ano seguinte ter com eles. Conheci-lhe as marcas e as cicatrizes na garganta que lhe tiraram a força da voz e o obrigaram a ir de mesa em mesa buscar os pedidos, mas que nunca mudaram a boa disposição e sorriso fácil. Passaram-se semanas em que já só estava a esposa para que pudesse descansar dos tratamentos em Coimbra. Depois regressava. "Estou como novo...!", e a lágrima pendurada e agarrada ao canto do olho a fazer tremer a voz que se ia esbatendo com o esforço.  As 3 bicas eram ali.
Há uns meses soube que teria de mudar de consultório em Leiria e estranhamente, apesar de nem conhecer bem a cidade para onde venho trabalhar todas as semanas, houve qualquer coisa que me fez querer ficar por perto daqui. Apenas mudei do 1o para o rés do chão e curiosamente houve uma imediata sensação de continuar em paz, onde me sentia em casa só por saber o nome do senhor que me servia o café. 
Agora não tenho quem o sirva, o papel de Trepassa-se na porta de vidro traz-me uma certa melancolia, venho para o consultório e ligo a máquina do café na sala de espera. 


sexta-feira, 4 de maio de 2018

Hoje fomos mais uma vez à Conferência internacional · esecs / instituto politécnico de leiria/portugal VII Investigação, Práticas e Contextos em Educação 2018 apresentar o nosso Programa de Desenvolvimento Emocional, que já está a ser aplicado em 9 grupos de Jardim de Infância e 2 turmas de 1º Ciclo.

Muito obrigada a quem mostrou interesse em conhecer mais, e assim sendo, tal como combinado, aqui vai o link da apresentação de hoje!


sábado, 17 de março de 2018

Os medos que nos prendem e os medos que nos protegem...



Esta semana visitamos mais dois jardins de infância para falarmos de emoções, como elas nos ajudam a perceber o que se passa ao nosso redor e dentro de nós. Percebemos que apesar de desconfortável por vezes, o medo também nos pode proteger e defender dos perigos ou ameaças... mas se lhe dermos demasiado poder, o deixarmos mandar em todas as circunstâncias e nunca ouvirmos o que nos diz a nossa coragem, então também poderá trazer-nos dificuldades ou impedir-nos de desfrutar da nossa vida.

Ora espreitem o resultado da nossa reflexão com os meninos e meninas de 5 anos...