terça-feira, 8 de outubro de 2019

Por noites mais tranquilas...

As noites cá em casa nem sempre foram tranquilas e muitas vezes ainda não o são... No entanto, ao longo desta jornada de trabalho com outros pais e no meu próprio desenvolvimento enquanto mãe, tenho aprendido com alguns retrocessos e atualmente estas são as minhas premissas essenciais:

  1. Ter segurança e confiança em comunicar esta nossa necessidade de estarmos sozinhos e de que eles (os filhos durmam na sua cama e quarto). Dificilmente algum dia será uma necessidade deles (exceto algumas crianças que gostam mesmo de estar sozinhas na sua cama, a maioria prefere ter companhia, sobretudo de quem mais segurança sentem). Por isso, há que mostrar-lhes que esta é uma necessidade nossa: de dormirmos no nosso quarto, acompanhados (de um companheiro/a) ou sozinhos.
  2. Comunicar esta necessidade de forma segura e tranquila. Enquanto mostrarmos a nossa frustração ou irritabilidade, a criança vai-se sentir também ela zangada por não compreender porque querermos afastar-nos dela ou até mesmo triste por sentir como uma forma de abandono. É importante demonstrarmos que também gostamos de estar com ela, e se já brincamos, conversamos, jantamos juntos, então agora também é o momento de a mãe ou o pai estarem juntos ou de irem fazer algo sozinhos de que gostam como ler um livro na sua cama.
  3. Aceitar que a criança se vai manifestar, como é natural que o faça, pois para ela não faz sentido nenhum terem os pais de dormir acompanhados ou ser deixada sozinha no seu quarto havendo um adulto por perto. Não adianta conversar, explicar ou querer que aceite à força, é só mesmo dizer ou mostrar que é o que nos faz sentido a nós e que lhe vamos dar algum tempo para que se vá habituando ou que passe a conseguir, que ela não precisa de fazer birras ou dramas porque também não há nada que o justifique.
  4. Começar a prolongar o tempo que demora a ir ter com a criança à cama para fazer companhia ao adormecer. Ou seja, orientá-la para que seja autónoma nas suas rotinas até ao momento de deitar e depois que espere tranquilamente que o pai ou a mãe se juntem a ela.
  5. Procurar não se deitar na cama e tapar com os lençóis ou "fingir" que também vai adormecer com ela, pois não é aquilo que irá continuar a querer fazer, dizendo "Quero muito que consigas adormecer e dormir sozinho e tranquilo, por isso vou ajudar-te para que isso aconteça da melhor forma para todos cá em casa".
  6. Depois de que a criança aceite que os pais poderão fazer companhia ao adormecer, mas não vão ficar toda a noite, sair do quarto depois de perceber que a criança está a dormir, mesmo que tenha que ir tranquiliza-la algumas vezes durante a noite que está ali perto e não se foi embora.
  7. Começar a reduzir o tempo de companhia ao adormecer. A maior parte do tempo de companhia deve ser feito na sala ou no quarto mas não ao deitar, de modo a que associe o estar na cama a dormir efetivamente e o tempo de adormecer seja mais curto.
  8. Quando um progresso acontecer, por mais pequeno que seja, não se esqueça de agradecer e celebrar esta conquista individual da criança e por contribuir na colaboração de uma necessidade que também é sua!
  9. Por último, em qualquer momento, não esquecer que a tranquilidade e a segurança são as melhores amigas para uma noite descansada e um adormecer suave, o nosso tom de voz tem de ser mais baixo, os nossos movimentos devem abrandar e ser mas lentos.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Controlo da mente ou a mente que nos controla

Qualquer um de nós tem em algum grau, a tendência para controlar e evitar sentir-se desconfortável, mais especificamente sentir-se com medo ou ansiedade. Para isso procuramos por vezes evitar situações que possam desencadear estas sensações. Mas noutros momentos, o que nos gera ansiedade está apenas a acontecer na nossa cabeça, como imagens, pensamentos de que algo aconteça ou o reviver de uma memória desagradável, pensamentos sobre a morte, perdas, desesperança, angústia, etc ... Tentamos fazer da mesma forma que nas situações e "fugir" dali, daquele pensamento... 

No entanto, o que acontece é que nos damos a uma trabalheira imensa para evitar ou fugir de um pensamento que não se controla, aliás fica mais forte quanto mais medo dele temos. Nestes momentos, o controlo passa a ser o problema que nos desagasta, porque quanto mais se tenta controlar mais as coisas parecem estar descontroladas. 

E que tal fazer algo de diferente? Desafiar e deixar as estratégias de controlo e segurança? No fundo, não precisamos destes comportamentos de segurança, porque não há insegurança... Se nos tentamos proteger, é porque acreditamos que algo negativo pode acontecer, mas como sabemos que NESTE MOMENTO, tal não é verdade, não há porque continuar a pô-los em prática. 

No fundo, porquê gastar tempo e recursos em algo que está no passado ou no futuro, que eu não posso modificar ou controlar? Porque não tentar dirigir o foco da nossa atenção e do nosso comportamento no que é útil e importante para a nossa vida NESTE MOMENTO, como o descanso, uma atividade, estar com quem gostamos, ir beber um copo de água, ir fazer exercício físico, estar só a desfrutar do silêncio? Não porque nos estejamos a tentar distrair dos pensamentos negativos, eles até podem lá estar na mesma, mas são apenas pensamentos e nada podem fazer, só existem na nossa cabeça e são só palavras... , nada de mal estar à acontecer é real.

Os nosso valores pessoais e de vida são de longe uma direção muito mais útil do que o controlo dos nossos medos.
É importante estarmos atentos porque quando nos sentimos mais instáveis e frágeis, regressa a sensação de que temos de controlar os pensamentos desagradáveis e evitar as situações que os desencadeiem EM VEZ DE lidar com eles e continuar a fazer o que é útil e real na nossavida.

A nossa mente é como uma máquina que nunca pára de falar e de produzir conteúdo, mas podemos decidir apenas observá-la e não lhe obedecer:
E agora, 2 exercícios:

1. Num momento de ansiedade ou desconforto, ao pensamento que está a ter acrescente:
– Estou a ter o pensamento que...
– Obrigado mente por me dizeres que...


image.png
2. Avalie até que ponto precisa mesmo de impedir o desconforto:
Estou disposto a sentir _____(medo/dúvida...) para poder _________________ (fazer algo importante para mim)?
ex1. para ser/ter amigos ou uma relação é preciso estar disposto a:
- sentir-se desapontado/desiludido,
- sentir-se embaraçado/envergonhado,
- ser magoado...;

ex.2. para se ter sucesso profissional é preciso estar disposto a:
- às vezes sentir-se como um fracasso
- sentir-se triste quando corre mal
- sentir-se estúpido
- sentir-se desapontado/frustrado

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Certificação em Parentalidade Consciente

Foram 100h de formação em sala, mas às quais se irão seguir milhares pela prática que nos exige a parentalidade diariamente...
💗

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Definir objetivos



Quase quase a começar um novo setembro (e mesmo ainda não tendo havido férias para alguns), aqui está um tópico que de tão simples, por vezes nos "armadilha" para falharmos, ainda nem tendo começado.
Aqui fica uma sugestão de como pode ser mais ajustado e eficaz...

Muitas vezes estabelecemos "desejos" em vez de objetivos, com a vaga esperança de que algum génio da lâmpada mágica os realize por nós...
Objetivos devem descrever o que Eu quero FAZER...
Resultado de imagem para objetivos• O que vou fazer de diferente? 
• O que vou começar a fazer / parar de fazer? 
• O que farei mais ou menos? 
• Como vou tratar de mim mesmo, aos outros, ao mundo de maneira diferente? 
• Que pessoas, lugares, eventos, atividades, desafios vou descobrir, iniciar, retomar ou entrar em contato? (em vez de evitar, desistir, desistir ou ficar longe de)? 
• Há alguma tarefa ou atividade em que me possa concentrar melhor ou participar? 
• Há pessoas com quem queira estar mais atento ou mais presente? 
• Existe alguém ou alguma coisa que possa apreciar mais?


Vamos então por partes...

1. Escolha APENAS UM domínio de vida de cada vez: saúde, trabalho, educação, lazer, crescimento pessoal, espiritualidade, pais, amigos, família, relacionamento íntimo, outros.


2. Pense nos seus valores. Escolha os que gostaria que estivessem presentes no domínio de vida escolhido. Estes valores irão motivar e inspirar as ações que irá tomar para alcançar o seu  objetivo. 


3. Defina um objetivo SMART
  S = eSpecífico (não defina uma meta vaga, imprecisa ou mal definida como "serei mais dedicado". Em vez disso, seja específico: "Vou telefonar aquele amigo que há muito tempo não sei como está". Por outras palavras, especifique quais as ações que planeia executar. 
  M = Motivado por valores (ou seja, verifique se esta meta está alinhada com os valores na etapa 2). 
  A = Adaptativo (Esta meta pode melhorar sua vida de alguma forma?) 
  R = Realista (Certifique-se de que a meta seja realista para os recursos disponíveis. Recursos que podem ser necessários: tempo, dinheiro, saúde física, apoio social, conhecimento e competências. Se estes recursos forem necessários, mas não estiverem disponíveis, precisará de se ajustar para algo mais realista. O novo objetivo pode ser encontrar os recursos que faltam: poupar dinheiro, ou desenvolver competências, ou construir uma rede social, ou melhorar a saúde, etc.) 
  T = tempo (Estipule um prazo específico: especifique o dia, data e hora - como com a maior precisão possível para executar as ações propostas.)


4. Quais são os benefícios? Esclareça para si mesmo, qual seria o resultado mais positivo de alcançar seu objetivo? (No entanto, não comece a fantasiar sobre como a sua vida será maravilhosa depois do objetivo alcançado; na verdade, a investigação tem demonstrado que fantasiar sobre o futuro reduz o envolvimento para o alcançar...)


5. Prepare-se para os Obstáculos. Imagine as potenciais dificuldades e obstáculos que podem estar no caminho até alcançar seus objetivos e planeie como lidará com eles se surgirem. 
Considerar: a) quais são as possíveis dificuldades internas (pensamentos e sentimentos difíceis, como motivação, insegurança, angústia, raiva, desesperança, insegurança, ansiedade, etc.)? 
b) quais são as possíveis dificuldades externas (por exemplo falta de dinheiro, falta de tempo, falta de competências, conflitos pessoais com outros envolvidos)?


6: Quão realista é este objetivo, de 0 a 10?
10 = completamente realista, definitivamente vou fazer. 
0 = totalmente irreal, eu nunca farei isto. 
Os seus objetivos precisam de ser razoavelmente realistas: pelo menos um 7. Se não conseguir classificar pelo menos com um 7, então mude o objetivo - torne-o menor, mais simples, mais fácil até conseguir um 7. Se necessário, mude completamente o objetivo. 


7. Com quem quer compartilhar o seu objetivo? A investigação mostra que se fizer um compromisso público com seu objetivo (pelo menos uma outra pessoa), então é muito mais provável que o siga. E se não está disposto a isso, então pelo menos faça um compromisso consigo mesmo.
Diga alto, escreva na agenda, coloque no frigoríco, na porta de casa, no espelho em que se olha de manhã.
E vamos lá... degrau a degrau.


segunda-feira, 24 de junho de 2019

Ser feliz | Estar feliz | Procurar a felicidade

Todos nós já quisemos ou queremos ser felizes. Até mesmo o Dalai Lama disse: "O propósito da vida é buscar a felicidade". Mas será que lá queremos chegar?
A palavra "felicidade" pode ter dois significados muito diferentes. Geralmente refere-se a um sentimento: uma sensação de prazer, alegria ou gratificação. E como todos gostamos de nos sentir bem, não será de estranhar que os perseguimos. No entanto, tal como todos os sentimentos e sensações, a felicidade não é permanente. Por muito que tentemos agarrar-nos, ela escapa o tempo todo. 
O outro significado da felicidade é "uma vida rica, plena e significativa". Quando fazemos o que realmente importa, quando nos movemos em direções que consideramos valiosas e dignas, quando esclarecemos o que defendemos na vida e agimos de acordo, então nossas vidas se tornam ricas e cheias e significativas, e experienciamos uma poderosa sensação de vitalidade. Este não é um sentimento fugaz - é um sentido profundo de uma vida bem vivida. E, embora esta vida nos proporcione, sem dúvida, muitos sentimentos agradáveis, ela também nos deixará desconfortáveis, com tristeza, medo e raiva. Isto é garantido. Se vivermos uma vida plena, sentiremos toda a gama de emoções humanas. 

No livro The Happiness Trap (Russ Harris, 2008), defende-se que o segundo significado de felicidade nos trará melhor resultado que procurar o primeiro. É claro que sentimentos alegres são bastante agradáveis, e certamente devemos aproveitar ao máximo quando se apresentarem. Mas se tentarmos tê-los o tempo todo, estamos votados ao fracasso. A realidade é que a vida envolve dor. Não há como fugir disso. Como seres humanos, todos nós nos deparamos com o fato de que, mais cedo ou mais tarde, ficaremos doentes, enfraqueceremos e morreremos. Mais cedo ou mais tarde, todos perderemos relacionamentos importantes por rejeição, separação ou morte. Mais cedo ou mais tarde, todos ficaremos frente a frente com uma crise, decepção e fracasso. Isso significa que, de uma forma ou de outra, todos nós vamos sentir sentimentos dolorosos. A boa notícia é que, embora não possamos evitar a dor, podemos aprender a lidar com ela muito melhor - se dermos espaço a que apareça, a possamos reconhecer e criarmos uma vida digna de ser vivida.